
T. V. Akhutina — Sobre o revisionismo na ciência vigotskiana (2021)
Publicado em Cultural-Historical Psychology, vol. 17, nº 3, 2021, pp. 152–159. Tradução por Laura Petrenko.
T.V. Akhutina
Em 2017, Anton Yasnitsky e Eli Lamdan publicaram “Em agosto de 1941: A Carta Desconhecida de Luria nos Estados Unidos como um Espelho da Revolução Revisionista?” na revista History of Russian Psychology in Persons: Digest (№2) [42]. O artigo é notável porque a carta recém-descoberta de Luria proporcionou aos autores a oportunidade de destacar a base de sua abordagem, que eles chamam de “a revolução revisionista nos estudos de Vigotski”. Das 68 páginas, apenas 10 estão focadas na carta de Luria, com o resto dedicado à “revolução revisionista”. O título da abordagem é um tanto surpreendente, porque em russo a palavra “revisionismo” tem conotações negativas [13, 30, cf. 31]. A ideia de uma abordagem “revisionista” é ativamente promovida por Yasnitsky, como pode ser visto, por exemplo, no artigo sobre “Lev Vigotski” na Wikipédia, escrito com a participação ativa de Yasnitsky [37].
Tanto a entrada da Wikipédia quanto o artigo de 2017 referem-se ao “culto de Vigotski”, que se opõe à “revolução revisionista nos estudos de Vigotski”. Como nunca houve uma resposta pública à “revolução” dos historiadores russos da psicologia, faz sentido considerar cuidadosamente as desculpas do “revisionismo”. O lado factual do artigo de Yasnitsky e Lamdan é uma carta educada de Alexander Romanovich Luria e uma resposta educada de seu destinatário, Horace Kallen. A história das relações entre Luria e Kallen, que facilitou a publicação em inglês do livro The Nature of Human Conflicts, de Luria, em 1932, nos EUA [19], é notável. Para os autores que publicam este documento, por um lado, a carta é uma evidência do desejo de Luria (bem como do de Vigotski) pelas relações internacionais, como Yasnitsky e Lamdan defendem o importante papel das ligações horizontais entre os cientistas, e aqui só podemos concordar com eles.
No entanto, esta carta é apenas um pretexto para que eles familiarizem o leitor com o “potencial de pesquisa da ‘virada revisionista’ nos estudos de Vigotski” [42, p. 225]. Então, o que a nova abordagem nos oferece?
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