A. A. Alvarez — Aplicações da teoria de L. S. Vigotski na Psicologia Clínica (1998)

Publicado em Revista Cubana de Psicología, v. 15, n.º 2, 1998, pp. 124–128. Tradução por Hélio C. Donadi.

Talvez em nenhuma outra área se revele o caráter profundamente humanista da concepção de Vigotski do que na defectologia, na clínica das afecções cerebrais e na psicopatologia. É lá, na doença, no defeito, na insuficiência e na incapacidade, que as perspectivas de sua teoria se delineiam plenamente, cujo núcleo de sentido é o profundo otimismo nas possibilidades do homem, como sujeito de sua atividade, criador de sua própria história, artífice de seu desenvolvimento. Ele utilizou o material patológico como uma via para corroborar sua concepção sobre o desenvolvimento das funções psíquicas superiores. O objetivo do artigo consiste em destacar algumas ideias gerais apresentadas por L.S. Vigotski, que têm plena vigência na área da Psicologia Clínica, em particular, na Neuro e Patopsicologia.

As pesquisas em Anatomia Patológica e Histologia demonstraram que, em doenças cerebrais, a formação mais jovem, a saber, a formação do córtex cerebral, é afetada, especialmente aquela que se desenvolveu filogeneticamente mais tarde. Pesquisas experimentais em animais, realizadas por Pavlov e colaboradores, confirmaram o princípio de que, no processo patológico, o que foi adquirido mais recentemente é alterado mais precocemente. Os reflexos condicionados adquiridos são destruídos mais facilmente na doença cerebral do que os incondicionados.

A experiência clínica também atesta que, em muitas doenças psíquicas, os pacientes deixam de realizar formas mais complexas de atividade, mantendo habilidades e hábitos simples. Além disso, algumas formas de alterações na afetividade, pensamento e comportamento dos pacientes realmente se assemelham, em sua estrutura externa, ao pensamento e comportamento de uma criança em determinadas etapas de seu desenvolvimento.