A. G. Asmolov et al. — Pré-requisitos da sociabilidade (2018)

Publicado em Psychology in Russia: State of the Art, vol. 11, nº 3, Moscow, Russia. 2018, pp. 2–17. Tradução por Carla Miranda.

As discussões da origem social da formação da personalidade baseadas no “indivíduo biológico” são um traço característico da pesquisa interdisciplinar moderna na junção das ciências naturais com as humanidades (Asmolov, 2002; De Waal, 2014; Kandel, 2016; Palmer & Palmer, 2002; Markov, 2010; Pinker, 1994; Ramachandran, 2006; Ridley, 2014; Wilson, 2015). Ao mesmo tempo, os aspectos evolutivos da relação entre o biológico (inato) e o social (adquirido) — isto é, o problema da “origem da sociabilidade” — saltam à frente.

Na psicologia, a correlação do biológico e do social na pessoa é de interesse especial (Asmolov, 2002). Diferentes escolas psicológicas propõem diferentes soluções a este problema. No entanto, apesar da ampla gama de pontos de vista, todas as teorias psicológicas concordam (explícita ou implicitamente) que os processos biológicos e sociais são fatores interrelacionados, mas independentes na evolução humana. A teoria sociogenética do famoso psicólogo norte-americano A. Gesell (1932) é um exemplo clássico.

Ao mesmo tempo, é possível que o próprio fenômeno da sociabilidade (mas não em sua forma) seja um produto da evolução biológica, e que suas raízes estejam intimamente associadas com o fenômeno da simbiose — a coexistência mutuamente benéfica dos organismos geneticamente diversos. Em outras palavras, como um produto da evolução, a sociabilidade talvez esteja enraizada na natureza biológica humana, e é uma das condições necessárias da vida, não apenas enquanto personalidade (um ser social), mas também como indivíduo (um ser biológico).