V. Bambirra — A Mulher chilena na transição para o socialismo (1971)

Publicado em Punto Final, nº 133, junho de 1971, pp. 1–8. Tradução por Teylor Lourival

A luta das mulheres pela conquista dos direitos civis tem uma origem antiga. No século XIX começa a desenvolver-se especialmente nos Estados Unidos (onde desde suas origens esteve vinculada à luta dos negros) e na Inglaterra. Nas duas primeiras décadas do século XX se intensifica nesses países e se estende a outros países europeus, principalmente estimulada pela II Internacional.

Entretanto mesmo toda esta primeira fase das lutas das mulheres tendo adquirido muitas vezes aspectos de enfrentamentos massivos e violentos, suas reivindicações concretas eram limitadas (durante um grande período centraram-se na conquista do direito a voto que só se alcança, em um número expressivo de países, a partir dos anos 20) e não colocavam em primeiro plano a situação opressiva da mulher cuja origem está ligada ao nascimento das sociedades de classe e cujo desenvolvimento sofreu variações de forma, sem que tenha sido alterado seu caráter essencial sob o socialismo.

É somente a partir dos anos 60 que a mulher adquire, pela primeira vez, nos países capitalistas desenvolvidos (Especialmente nos Estados Unidos, Canadá e também em vários países europeus) um conteúdo novo que se expressa no fato de que não se trata somente de reivindicar maiores conquistas sociais, mas também se orienta ao próprio questionamento das bases econômico-sociais da dominação em que se assenta a situação de exploração da mulher, ou seja, o questionamento do sistema de dominação capitalista. Neste sentido, ainda que levantando seus interesses específicos, a luta das mulheres, que adquire um caráter amplo de luta de libertação, tende a convergir e unificar-se com a de todos os setores e classes oprimidas, como a dos negros norte-americanos.