A. Banfi — A Crise da Cultura Contemporânea (1948)

Publicado em Saggi sul Marxismo. Roma: Editori Riuniti, 1960, pp. 13–28. Tradução por Bruno Bianchi.

A situação de crise da cultura contemporânea pode ser vista por muitos aspectos. Em primeiro lugar, por seu desapego dos problemas da vida, da realidade humana historicamente determinada na qual estes estão enraizados. A cultura se apresenta como um mundo em si, com suas próprias problemáticas abstratas, colorida por um pathos artificial e retórico, e mesmo se a vida se reflete nela, ela se reflete nela como a realidade em uma esfera mágica deformada e dissolvida na pretensão de sua própria luminosidade essencial irreal, de modo que suas supostas soluções são soluções in vitro, sem qualquer eficácia prática. É natural, portanto, que as instituições como, antes de tudo, as escolas, que representam a continuidade da relação entre a vida e a cultura, e sua fecundação recíproca, se encontrem hoje sem equilíbrio interior, esgotando suas próprias estruturas tradicionais sem saber criar outras novas que cumpram sua verdadeira função.

Mas outro aspecto deriva desta abstração: o refinamento extremo, tanto em termos de seu conteúdo quanto de suas formas. Ele intelectualiza, na verdade, tecniciza a cultura, faz dela o patrimônio de uma elite, acentua o motivo crítico e polêmico nela e, a longo prazo, esteriliza seu germe vital. Em muitos sentidos, parece que a cultura contemporânea atingiu o limite de sua produtividade e está se voltando para si mesma nos vários tons de arcaísmo, exotismo, primitivismo, formalismo, surrealismo, se quiser. E a este refinamento abstrato, sem solidez de compromisso, está ligado, por um lado, a incerteza da própria posição histórica, e por outro, a distinção e a separação dentro dela dos diversos campos. Parece que ela não se refere nem a um homem historicamente determinado, nem ao homem eterno ideal, mas, se me é permitido dizê-lo, a um homem que escapou tangencialmente do curso da história; e parece que, nesta atmosfera rarefeita, a unidade concreta do homem é quebrada em vários níveis e em várias direções que agora são irreconciliáveis.