A. Banfi — Para uma polêmica sobre a Psicanálise (1959)

Publicado em La Ricerca della Realtà, vol. 2, Firenze: Sansoni, 1959, pp. 697–712. Tradução por Bruno Bianchi.

Um pequeno artigo meu — Psicologia em guarda! — dirigido aos amigos da Psiche, a animada revista psicanalítica italiana, despertou certo interesse nos círculos científicos e provocou, no penúltimo número da Psiche, uma extensa resposta de meu amigo Cesare Musatti. O Congresso Romano de Psicanálise e um encontro católico em Assis, dedicado à avaliação dos métodos e resultados psicanalíticos, jogaram lenha na fogueira da parva favilla, de modo que pareceu oportuno a vários de nós retomar o assunto na forma tranquila de uma discussão que considerasse seus diversos aspectos, convencidos de que, dessa forma, em bases concretas, também teríamos esclarecido alguns pontos de vista gerais.

É por isso que, ao responder às observações corteses e sérias do professor Musatti, a quem estou ligado não apenas por uma amizade antiga, uma fé política compartilhada e uma profunda estima mútua, mas também por um hábito inveterado de pensamento crítico e uma preparação científica que vai além de um certo provincianismo cultural italiano, desejo abandonar questões que são muito pessoais ou muito sutis, a fim de tentar definir e levar a outros disputantes nosso problema em sua unidade radical. Pois uma pequena ambição permanece para mim: a de ter ajudado — perdoe a expressão rude — a psicanálise de Musatti a se tornar problematizada, ou melhor, a se expressar com um senso muito agudo de problematicidade, tanto em termos de métodos quanto de resultados. Não é preciso dizer que, nesta discussão, nenhum de nós pode alegar possuir a espada de Alexandre que cortará o nó górdio de uma só vez; tentaremos desvendá-lo ou, se nada mais, reconhecê-lo com nossos simples dedos.