
F. Basaglia — Dar um nome à opressão (1967)
Publicado em Scritti (1953–1980). Milão: Il Saggiatore, 2017. Tradução por Iago Martins
F. Basaglia
Fomos acusados de “usar” doentes mentais para fazer a “revolução”; de objetivar ainda mais o paciente, reificando-o na instrumentalização que fazemos dele; de circunscrever as possibilidades “revolucionárias” nos doentes mentais, como situação privilegiada e não generalizável. Por que — perguntam–nos — o hospital psiquiátrico, e não a pedagogia ou o tempo livre, etc.? Simplesmente porque nosso campo de ação é a instituição psiquiátrica, na qual reconhecemos os internos como o último elo de uma cadeia de violência e exclusão que pouco tem a ver com a doença.
A nossa proposta — que provém de uma ação baseada na derrubada prática da realidade institucional — não quer, portanto, se limitar apenas ao discurso específico e especializado, mas — agindo no terreno dessa especificidade — quer sair dela ampliando o olhar e incorporando-o a um discurso político geral, sem o que parece impossível abordar o problema. O nosso [discurso] é então um discurso psiquiátrico, na medida em que se ocupa dos doentes mentais internados em uma instituição psiquiátrica; e político, na medida em que tanto o internamento quanto a doença são vistos como o produto de uma estrutura social que pode subsistir apoiada nas fileiras dos excluídos que ela cria, nega e destrói.
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