
F. Basaglia — Reabilitação e Controle Social (1971)
Publicado em Scritti (1953–1980). Milão: Il Saggiatore, 2017. Tradução por Iago Martins.
F. Basaglia
Quando falamos de reabilitação em termos de doença mental, não podemos nos referir apenas às técnicas de reabilitação, mas também à base superestrutural e estrutural a partir da qual essas técnicas adquirem seu significado. O problema, portanto, move-se em vários níveis:
1) O nível individual, isto é, o doente e sua doença.
2) O nível institucional e superestrutural em que o doente é coagido. Isto é, a codificação científica da doença, implicitamente ligada à definição dos limites da norma transgredida pelo comportamento mórbido; a relação que o indivíduo estabelece com essa codificação e a instituição na qual a doença é circunscrita, uma vez definida e codificada.
3) O nível estrutural, isto é, o significado estrutural estratégico da instituição dentro do sistema social do qual ela é expressão.
Para falar de reabilitação e recuperação é, portanto, indispensável que estes três planos se complementem um ao outro, de acordo com uma finalidade comum, no sentido de que o doente deve encontrar na instituição designada à sua cura a resposta às necessidades representadas pela própria doença e — na realidade externa — os elementos indispensáveis para sua reinserção e recuperação.
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