R. Bruyeron — As Três vidas de Georges Politzer (2014)

Publicado em La Revue du projet, nº 34, fevereiro de 2014, e nº 35, março de 2014. Tradução por Bruno D. Bianchi.

Nas biografias de Georges Politzer se esquece muitas vezes que uma grande parte de sua vida foi dedicada ao seu trabalho como professor de filosofia: esta foi, portanto, sua “primeira vida”. Assim que chegou à França no verão de 1921 — tinha então 18 anos — o jovem húngaro validou o seu exame de fim de estudos e se matriculou na Sorbonne para prosseguir os estudos superiores em filosofia. Teria como mestres Léon Brunschvicg, André Lalande, Georges Dumas, entre outros, ou seja, os representantes do movimento racionalista fortemente tingidos de idealismo da universidade francesa.

Movimento fundamentalmente oposto ao pensamento de Bergson e ao bergsonismo então reinante na cultura da época. Foi depois dos cursos de Brunschvicg que ele defendeu uma tese de graduação sobre o papel da imaginação em Kant e que escreveu seus primeiros artigos justamente sobre Brunschvicg, Narbert, etc.[1]. Em 1926, cinco anos após sua chegada à França, ele foi admitido na agregação de filosofia ao mesmo tempo que Vladimir Jankélévitch e Georges Friedmann.

Deixemos de lado, por enquanto, seus escritos sobre Freud e o seu imenso interesse pela psicanálise e pela psicologia, ressaltando que sua vida foi antes de tudo a de um professor. Primeiro nomeado para o liceu de Moulins, depois para o de Cherbourg, em seguida para Vendôme, ensinou durante quase dez anos em Dreux e foi finalmente nomeado para o liceu Marcellin-Berthelot de Saint-Maur no início do ano letivo de 1939: teve tempo para saudar seus alunos, pois seria convocado para o serviço militar em outubro e nunca mais voltaria ao seu posto após a derrota de 1940