
M. Dafermos — Psicologia Histórico-Cultural e Marxismo (2012)
Publicado em Kul’turno-istoricheskaya psikhologiya, v. 8. nº 4. p. 114–121, 2012. Tradução por Bruno Bianchi.
M. Dafermos
Antes de mais nada, gostaria de agradecer a honrosa oferta de falar no Departamento de Filosofia e no Departamento de Psicologia Histórico-Cultural da Universidade Pedagógica do Estado de Moscou. É uma estranha coincidência que os nomes desses departamentos (filosofia e psicologia histórico-cultural) em sua combinação caracterizem o foco de minha pesquisa. Sou filósofo por formação, me formei na Faculdade de Filosofia da Universidade Estadual de Moscou e, ao mesmo tempo, me dedico à psicologia, em especial à história e aos problemas filosóficos e epistemológicos da psicologia.
Nesta apresentação, tentarei destacar uma dificuldade específica ao considerar a relação entre a psicologia histórico-cultural e o marxismo.
A primeira dificuldade é de natureza ideológica. Mesmo durante sua vida, Vigotski foi criticado por não aplicar uma abordagem de classe e por não ser marxista. O diretor do Instituto de Psicologia, V. N. Kolbanovski, disse: “Nunca reconheci essa teoria como uma teoria marxista ou como uma aproximação ao marxismo. Mas se quisermos entender a raiz da teoria em si, ela exige agora a mais completa crítica como uma teoria antimarxista, como uma teoria que não vai além da compreensão burguesa do historicismo e, portanto, fundamentalmente hostil ao marxismo” [5, p. 143].
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