
E. Iu. Zavershneva — Vigotski contra Freud (2016)
Publicado em Cultural-Historical Psychology, v. 16, n. 4, 2016, pp. 14–25. Tradução por Marcela Rosa.
E. Iu. Zavershneva
Em caderno inédito “Conferência sobre temas de investigação. 27 a 29 de outubro 1933”, Vigotski, ao esboçar um plano para trabalhos futuros, afirmou: “As perspectivas: defender a posição básica de Freud (psiconeurose — resultado de um deslocamento que falhou, conflito entre o Ego e o Id, as camadas superiores e inferiores da psique no novo sistema): Freud considera o consciente à luz da doutrina do inconsciente; nós — o inconsciente à luz da doutrina do consciente. Uma nova teoria da psiconeurose infantil. Nem redescobrir a América nem considerá-la não descoberta. Quem quer construir uma psicologia científica deve seguir outro caminho: Fr. não deu a doutrina do consciente; não se pode agregar a Fr. a doutrina do consciente; é necessário reconstruir seus fatos e teorias em um todo novo”[1].
Esta tese, expressa na discussão do relatório do psicanalista V.F. Shmidt nas “conferências internas”, é um testemunho em primeira mão que expressa a atitude de Vigotski em relação à teoria de Freud. A tarefa especificada na tese — repensar a psicanálise no contexto da teoria histórico-cultural — já foi designada por Vigotski em 1925, no prefácio do livro de Freud “Além do princípio do prazer” (escrito com A. R. Luria [18]). Analisando o prefácio, R. Van der Veer aponta que, para os autores, a única “variante aceitável de anexação” era o estudo dos princípios básicos da psicanálise e sua verificação à luz da própria teoria, mas a forma concreta de tal anexação permanecia obscura [34, p. 60]. Em nosso estudo tentamos mostrar como esta tarefa, formulada em 1925 como uma pura declaração de intenções, gradualmente passou para a categoria de resolvida, e a polêmica de Vigotski com Freud atingiu o nível de rivalidade potencial dos programas científicos.
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