E.V. Ilienkov - Sobre o Estado da Filosofia (1967)

Publicado em Studies in East and European Thought, v. 76, 2024, pp. 557-564. Tradução por Bruno Bianchi.

A situação – acredito ter não apenas o direito, mas também o dever de dizer – é bastante ruim, se não trágica. Isto é, é claro, se avaliarmos não os sucessos particulares e falhas específicas, mas pelo papel que a filosofia é obrigada a desempenhar na transformação comunista do mundo.

Na prática, a influência da filosofia sobre os acontecimentos e sobre o desenvolvimento das ciências sociais e naturais está se aproximando de zero. Tenho em mente, é claro, a filosofia marxista-leninista, o “materialismo dialético”. E como “um lugar sagrado nunca está vazio”, à medida que a influência da dialética materialista diminui, a influência de várias outras escolas e conceitos heterogêneos aumenta.

Nas ciências naturais, é o neopositivismo, ou seja, a “lógica” em uma interpretação puramente instrumental (lógica matemática), livre de qualquer aspecto filosófico ou ideológico. À medida que os cientistas naturais fazem incursões cada vez maiores no campo dos problemas humanos e sociais, eles operam com mais frequência com os termos da cibernética (“informação”, “feedback”, “eficiência”, “otimização” etc.). E nas próprias ciências sociais essa tendência é muito forte. Ela opera sob o nobre slogan de “implementar os métodos avançados da ciência natural nas ciências sociais”.