
E. V. Ilienkov — Historicismo na Psicologia (1979)
Publicado em Voprosi Filosofi, nº 4, 2018. Tradução por Bruno Bianchi.
E.V. Ilienkov
Camaradas, desejo limitar-me aqui a uma intervenção breve[1], mas quanto mais pensava no que Arseniev[2] nos disse em ocasião passada, mas me convencia de que um discurso breve não seria suficiente. E por isso, me desculpo se passo por cima dos regulamentos. Bem, me parem se eu me afastar do assunto.
Em minha opinião, este tema é extremamente importante: o historicismo na psicologia. Precisamente por isso, gostaria de considerar uma série de afirmações do relator que, ao que me parece, necessitam de esclarecimentos, e muito sérios. Anatoli Sergeievich notou muito corretamente uma citação de Alexander Sergeievich Pushkin. Me parece que isto foi o melhor em sua apresentação. Concordo cem por cento com ele que a selvageria, a infâmia e a ignorância não respeitam o passado, mas se insinuam no presente[3]. E é aí que ao considerar, à luz desse sábio pensamento, a palestra de Analoti Sergeievich, me parece que essa verdade serve para refutar justamente mais da metade de suas afirmações.
Anatoli Sergeievich inicia sua apresentação com a afirmação de que antes de falar sobre historicismo na psicologia, é preciso entender claramente o que é historicismo. Correto. Claro, seria necessário esclarecer o que é historicismo de forma geral, ao menos brevemente, antes de falar sobre o historicismo na psicologia. Mas isso é precisamente o que Anatoli Sergeievich, infelizmente, não fez. Diz ele: “Bem, o que é historicismo, ninguém o sabe”. Tal afirmação, sua primeira afirmação depois dessas sábias palavras (de Pushkin), me parece demasiado ousada.
Anatoli Sergeievich, de repente acontece que alguém sabe o que é historicismo?
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