
E. V. Ilienkov — Materialismo Militante, Meios Dialéticos (1979)
Publicado em Ilyenkov, E., Intelligent Materialism. Leiden: Brill, 2018, pp. 229–247. Tradução por Marcelo José de Souza e Silva.
E.V. Ilienkov
“Mas será que o respondente aceita que a filosofia do marxismo é o materialismo dialético?” — assim Lênin demandou persistentemente uma resposta direta de Bogdanov em maio de 1908, salientando decisivamente estas duas palavras-chave. Não somente “materialismo”, desde que o materialismo sem a dialética nas condições contemporâneas não pode ser chamado de “derrotando”, mas sim derrotado, e dialética sem materialismo é inevitavelmente transformada em uma arte puramente linguística de transformar os conceitos, afirmações, termos geralmente aceitos, de dentro para fora, há muito conhecido como sofismo. E somente dialética materialista e somente materialismo dialético, somente a unidade orgânica da dialética com o materialismo equipa o pensamento com capacidade e habilidade para criar uma imagem objetivamente verdadeira do mundo externo, com capacidade e habilidade para refazer esse mundo de acordo com as leis objetivas e tendências de seu próprio desenvolvimento. Esse é o pensamento chave de todo o entendimento de Lênin da filosofia que ele consistentemente explorou nos capítulos de seu livro brilhante.
A significância de Materialismo e Empiriocriticismo para a história de nosso século não acaba com o fato de que aqui, de uma vez por todas, chegou ao fim “uma filosofia reacionária” e suas pretensões do papel de “filosofia da ciência natural contemporânea” e “toda ciência contemporânea”. Muito mais importante foi o fato de que na polêmica com essa filosofia reacionária, Lênin claramente articulou seu próprio entendimento positivo de todos os problemas essenciais colocados diante da filosofia marxista pelos eventos da época contemporânea — a época das grandes revoluções em todas as esferas da vida humana: na economia, política, ciência e tecnologia — todo lugar formulando categoricamente os princípios fundamentais para resolver estes problemas e apresentando a lógica de como achar suas soluções. Foi necessário afirmar claro, distinta e inequivocamente para o partido, para o país e para todo o movimento trabalhador internacional de que foi somente o bolchevismo como posição estratégica e tática na revolução que tinha como sua fundamentação teórica a filosofia de Marx e Engels, e, portanto, que somente o bolchevismo era o descendente direto do trabalho dos fundadores do marxismo na política, economia política e filosofia.
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