
E. V. Ilienkov — Psique e Cérebro (1968)
Publicado em Voprosy filosofii, nº 11, 1968, pp. 145–155. Tradução por Bruno D. Bianchi.
E.V. Ilienkov
O artigo de D. I. Dubrovski, Cérebro e psique — publicado no número 8 da revista Voprosy filosofii [Questões de Filosofia] — suscitou em mim não só o desejo de argumentar, mas também de manter o tom que ele mesmo propôs no decorrer de sua argumentação. Por esta razão, me parece necessário enumerar aqueles pontos sobre os quais nem eu nem — tanto quanto entendo — F. T. Mikhailov discutiremos com o autor de Cérebro e psique, uma vez que nestes estamos completamente de acordo. É necessário fazê-lo não por cortesia acadêmica, mas precisamente para evidenciar os verdadeiros pontos de divergência entre nossas posições e, assim, deixar que o leitor decida qual caminho lhe parece preferível.
“A informação armazenada por uma personalidade, aquela que expressa a sua experiência vital, seus traços peculiares de resposta emocional e intelectual, enfim, todos os seus registros psicológicos superiores, estão de alguma forma fixados em seu cérebro, encarnados na organização específica dos sistemas, subsistemas e elementos cerebrais”, escreve D. I. Dubrovski[1].
Aqui temos o prazer de registrar a total semelhança entre nossos pontos de vista. Nós também pensamos assim, e reconhecemos em D. I. Dubrovski o mérito de uma tradução bastante precisa do velho e sábio pensamento de Spinoza para a linguagem da ciência moderna. Um pensamento correto, indiscutível para qualquer materialista. Além disso, tomaremos a liberdade de supor que Hegel também não discutiria conosco nesse ponto. Ele pensava — embora se expressando de forma um tanto antiquada — que a “arquitetura neurodinâmica” presente no cérebro do indivíduo é uma “uma espécie de derivação” em parte “das características cerebrais geneticamente predefinidas de um dado indivíduo” e em parte, se se pode expressar assim, “de sua trajetória sociobiográfica”. Pode-se ler acerca desse tema em sua Fenomenologia do Espírito, onde faz referência ao mesmo tema: “que as circunstâncias e relações em que se encontra o indivíduo dão ao seu destino esta direção e não outra, reside não apenas nessas circunstâncias e relações, em sua originalidade, e não só na natureza geral do indivíduo, mas ao mesmo tempo também em sua particularidade”[2]. Caso contrário, o indivíduo se converteria em Espírito Absoluto.
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