I.S. Kon - Escolha e Responsabilidade (1989)

Publicado em Soviet Education, v. 31, nº 9, 1989, pp. 43-56. Tradução por Carla Miranda.

Teoricamente, o problema ético da escolha moral pressupõe a ausência de um interesse pessoal egoísta e destaca a qualidade ativa, independente e subjetiva do ego. Mas na vida real, a escolha moral toma lugar em íntima conexão com questões estritamente práticas: o que fazer ou como agir em uma situação concreta particular e que medida de responsabilidade o sujeito tem, não em geral, mas precisamente nesse caso particular.

A responsabilidade caracteriza a pessoa individual em relação ao seu atendimento a certos requisitos sociais ou morais. Porém, o conceito é multifacetado[1]. Há vários vetores em seu desenvolvimento histórico: do coletivo ao indivíduo, do externo ao interno e psicológico, da retrospectiva (responsabilidade pelo passado, culpa) à prospectiva (responsabilidade pelo futuro, obrigação).

A atribuição de responsabilidade pode ser tanto externa, do ponto de vista da sociedade, como interna, do ponto de vista do Eu. A responsabilidade pode ser a mesma em ambos os casos ao se tratar do conteúdo das demandas colocadas no indivíduo como o portador da responsabilidade (por exemplo, labor consciente é tanto uma obrigação social quanto um dever moral). Mas no primeiro caso, o sujeito implícito do controle social e da atribuição é a sociedade, o coletivo, enquanto no segundo caso, é o próprio indivíduo. Da perspectiva da autoconsciência, esta distinção subjetiva – isto é, a quem a pessoa é correspondente por suas ações – é muito importante: no primeiro caso, a responsabilidade é obrigação, no segundo, é dever moral.