B. Királyfalvi — Georg Lukács ou Bertolt Brecht? (1985)

Publicado em British Journal of Aesthetics, vol. 25, nº 4, 1985, pp. 340–348. Tradução por Bruno Bianchi.

O debate Brecht-Lukács, que começou na década de 1930 com a crítica do expressionismo de Lukács e continua hoje, embora os principais partidos já não estejam vivos, tem sido referido como o debate sobre o modernismo, sobre o realismo socialista, bem como o grande debate formalista/realista[1]. É, de fato, tudo isto e muito mais; abrangendo diversas questões fundamentais da estética, como a natureza do efeito estético, a definição de forma e conteúdo, a subjetividade versus objetividade e a questão da missão social da arte. Uma análise dos comentários e análises críticas de terceiros ao debate[2] revela uma falta de percepção, por parte de alguns dos intervenientes, das mudanças nas posições de Brecht e Lukács entre as décadas de 1930 e 1950 e 1960, respectivamente, e uma tendência para a polarização de pontos de vista, o que implica que devemos aceitar Lukács ou Brecht, e não ambos. É claro que a inclinação para o dogmatismo e rejeição categórica no sistema estético e o estilo de escrita tanto de Brecht como de Lukács, sem dúvida, define o tom e até os fundamentos para a polarização. Veja, por exemplo, a posição de Brecht sobre os clássicos e de Shakespeare em particular, que revela uma grande superficialidade de leitura e pensamento. Veja a tendência de Lukács para rejeitar a experimentação artística, ou compare a rejeição categórica de Brecht de todo o “teatro dramático” com uma característica semelhante de Lukács no seu ensaio, “Franz Kafka ou Thomas Mann?”. Os comentários críticos de terceiros parecem frequentemente refletir (ou mesmo abraçar) as fraquezas de Brecht e Lukács e não os seus pontos fortes.

Talvez a análise mais equilibrada do debate seja feita por Werner Mittenzwei[3], que aborda corretamente o ponto mais fundamental de todo o debate, que é que o realismo não foi debatido por Brecht e Lukács como uma tendência em estilo, mas como um problema metodológico. Isto é frequentemente esquecido pelos críticos, porque só conseguem ver o realismo como um estilo entre muitos. Mittenzwei faz também uma análise objetiva das atitudes de Brecht e Lukács em relação à tradição e à herança literária. Os seus comentários sobre as teorias de representação, sobre o retrato realista e sobre o efeito da obra de arte falham, contudo, na percepção de certas semelhanças ocultas entre Lukács e Brecht. Mittenzwei acaba por repreender Lukács por deficiências como a falta de uma definição funcional de realismo socialista e de um conceito mecanicista do método de trabalho do artista realista. Subscreve também a afirmação inteligente, mas infundada de Brecht de que Lukács é um crítico formalista. A interpretação de Mittenzwei torna-se divertidamente irônica quando aceita o método de “distanciamento” de Brecht, que visa mudar a visão do público sobre a realidade social, ao mesmo tempo que rejeita o conceito de Lukács sobre o efeito estético, porque está orientado para a mudança ética do ser humano individual.