L. Kofler — Estética, Psicanálise, Antropologia (1970)

Publicado em KOFLER, L. Arte abstracto y literatura del absurdo. Barcelona: Barral Editores, 1972, pp. 13–25. Tradução por Bruno Bianchi.

Desde Freud e seus sucessores, a psicanálise conta entre as numerosas tentativas para o esclarecimento da essência da arte. A psicanálise deduz toda arte dos mecanismos do psiquismo, ignorando que desta maneira não se explica nem o que nem o como da arte, mas apenas o de onde.

No entanto, sem perguntar-se de onde ela vem, não se pode responder à questão de qual é a atitude característica de toda arte autêntica, aquela que, como veremos mais adiante, se deduz de sua raiz antropológica. Trata-se da dialética de ambas as raízes: da origem (de onde) e da forma de incidência (o como) da arte. Resta ainda por responder a pergunta do que é a arte, a referência ao seu conteúdo. Este não é o lugar para trata-la explicitamente, pois se apresenta como a questão da expressão em termos de conteúdo, questão que nos remete à teoria do conhecimento, na qual também são levantados igualmente o onde e o como da arte, e direcionado a um ponto de vista diferente, principalmente sociológico. Este será o tema dos capítulos seguintes, com exceção do imediatamente seguinte, que desenvolve a transição da análise antropológica para a sociológica.