
L. Kofler — Forma Estética e Verdade (1972)
Publicado em KOFLER, L. Arte abstracto y literatura del absurdo. Barcelona: Barral Editores, 1972, pp. 25–38. Tradução por Bruno Bianchi.
L. Kofler
Não há nenhuma dúvida, e neste ponto existe um acordo, de que uma obra de arte é reconhecida como obra de arte autêntica em sua forma estética realizada. No entanto, quando se coloca no que consiste propriamente esta forma, é destacado preponderantemente o estilo, a força e a criação da linguagem, a construção e a estrutura da obra teatral ou da novela. Aqui, fazemos referência à arte poética, visto que nas artes plásticas o problemas se apresenta de forma mais complexa e indecifrável. Em todos esses casos, se omite com demasiada facilidade que as características assinaladas não correspondem à forma, mas sim à técnica. Se o domínio da técnica é tão importante para a realização poética, ele não constitui, no entanto, a essência do estético, que buscamos na obra de arte. O que tratamos de ver como algo próprio da aptidão poética específica, isto é, a capacidade de conferir à obra a forma estética suficiente, elevando-a deste modo à obra estética, é precisamente aquilo que não pode ser imitado, nem mesmo aprendido, contrário do que acontece com a mera técnica, que pode ser ensinada e aprendida. O estético, em sentido estrito, pode exercitar-se e desenvolver-se, mas de modo algum pode adotar-se e aprender como no caso do simplesmente técnico.
Em que consiste, portanto, a forma estética? De imediato, para apresentar a resposta como tese, digamos que consiste em uma configuração suficientemente estética do conteúdo. Mas em que consiste uma tal configuração do conteúdo? Consiste na configuração do acontecer do argumento, em relação ao conteúdo, até alcançar aquela altura na qual não só se plasma este acontecer mesmo, sua diversificada lógica e contraditoriedade internas — um argumento carente de uma lógica e de uma contraditoriedade não é mais que uma banalidade — em uma obra acabada, transparente e compreensível, mas também, mais além deste ponto, onde se compreende seu sentido, isto é, se converte em uma “expressão”, interessando assim o fenômeno da verdade.
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