L. Kofler — O Problema do Normal na Literatura da Sociedade Burguesa (1970)

Publicado em Arte Abstracto y literatura del absurdo. Barcelona: Barral Editores, 1972, pp. 59–79. Tradução por Bruno Bianchi.

Hoje a tese pseudocrítica do tipo de “conformismo mascarado de inconformismo” (Lukács)[1] caracteriza amplamente a teoria da literatura. De preferência, ela tem prazer em destacar sua radical equiparação da alienação com a patologia. Às análises efetuadas para demonstrar que o fenômeno da alienação é entendido, tanto objetiva como conceptualmente, dentro da categoria do normal, ela responde com a objecção de que a decomposição da sociedade moderna e em particular das suas formas alienadas encontram a sua contestação decisiva apenas nas deformações em constante expansão da vida psíquica, na sua patologia condicionada pelo ambiente e nos correspondentes excessos patológicos, de todos os quais o poeta moderno talentoso escolhe o seu tema crítico. Os poetas da literatura absurda, continua este tipo de argumento, seguem este caminho da forma mais consistente, o que, por sua vez, implica o seu papel eminentemente crítico da sociedade no mundo moderno[2].

Por feliz circunstância, nossa abordagem confronta um profissional especialista em psicopatologia, Joseph Gabel, que em duas obras[3] assume a tarefa de demonstrar uma teoria da identidade do patológico, na esfera subjetiva, com a alienação, no campo sócio-objetivo. Uma discussão com Gabel pode ser de grande benefício para esclarecermos um problema semelhante colocado na teoria literária; por isso pedimos a benevolência do leitor pelo fato de lhe dedicarmos uma parte deste capítulo.