
I.S. Kon - Constância da Personalidade (1984)
Publicado em Poiskakh sebia. Lichnost i ieie samosoznanie [Em Busca do Eu. Personalidade e Autoconsciência]. M.: Politizdat, 1984. Tradução por Bruno D. Bianchi.
I.S. Kon
A ideia de identidade pessoal, a constância de traços fundamentais e da estrutura da personalidade, é o postulado central, o axioma, da teoria da personalidade. Mas será que esse axioma encontra respaldo empírico? No final da década de 1960, o psicólogo americano William Mischel, após analisar dados de psicologia experimental, concluiu que não.
Os chamados “traços de personalidade”, cuja estabilidade foi mensurada por psicólogos, não são entidades ontológicas específicas, mas sim construções arbitrárias que frequentemente subjazem a síndromes comportamentais ou motivacionais bastante vagas. Além disso, a distinção entre “traços” constantes e estáveis e “estados” psicológicos mutáveis e fluidos (a timidez é um traço de personalidade estável, enquanto o constrangimento ou a calma são estados temporários) é em grande parte arbitrária. Se considerarmos também a natureza arbitrária das mensurações psicológicas, a variabilidade das situações, o fator tempo e outros fatores, a constância da maioria dos “traços de personalidade”, com a possível exceção da inteligência, parece altamente questionável. Seja ao analisarmos as relações das pessoas com figuras de autoridade mais velhas e pares, o comportamento moral, a dependência, a sugestionabilidade, a tolerância à contradição ou o autocontrole, a variabilidade prevalece sobre a constância.
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