I.S. Kon — Orientação Sexual e Sociedade (1997)

Publicado em Vkus Zapretnogo Ploda: Seksologiya dlya vsekh [O Sabor do fruto proibido: sexualidade para todos], Moskva: Semia i shkola, 1997 Tradução por Bruno D. Bianchi.

Quaisquer que sejam as razões para a orientação sexual de um indivíduo, seu comportamento e estado psicológico dependem, acima de tudo, da relação com as pessoas ao seu redor. E isso, por sua vez, é determinado pela cultura.

Muitos estão convencidos de que um homem homossexual pode ser facilmente reconhecido por sua aparência feminina, constituição física, andar, voz, comportamento, etc. Na realidade, homens feminizados constituem uma minoria entre os “gays”, não ultrapassando 15%. Quanto a maneiras específicas, fala, vestimenta, etc., dependem principalmente das normas da subcultura correspondente, facilitando a “marcação” e o reconhecimento de “um dos nossos”.

Acredita-se que em casais homoafetivos, masculinos e femininos, há sempre uma divisão clara e estável de papéis; um dos parceiros desempenha um papel ativo, dominante, “masculino”, enquanto o outro desempenha um papel passivo, “feminino”, e isso se aplica tanto às relações sexuais quanto à dinâmica doméstica. Na verdade, essa divisão de papéis, quando um dos parceiros se autodenomina “marido” e o outro “esposa”, existe apenas em alguns casais. Com muito mais frequência, os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são construídos com base nos princípios de igualdade e complementaridade. Isso também se aplica à sua técnica sexual.