
I.S. Kon - Psicologia da Inércia Social (1989)
Publicado em Soviet Education, v. 31, n. 9, 1989, pp. 80–94. Tradução por Carla Miranda.
I.S. Kon
Reestruturação é frequentemente comparada com a NEP. Porém, a NEP cobrou as pessoas para retornar ao sistema de motivos e incentivos com os quais elas estavam familiarizadas, e nos quais elas foram criadas e tem vivido por séculos. Uma reestruturação psicológica não foi exigida delas. A política de hoje, por outro lado, chama pelo desenvolvimento de um novo estilo de conduta social, em vários sentidos contradizendo a experiência de vida e motivos de atividade das duas, ou até três últimas gerações. Somos capazes disso, e quanto tempo será necessário para tal reestruturação? Para responder a estas questões, temos de nos desfazer da imagem idealizada e resplandecente do “homem novo”, dotado apenas de méritos, e olhar para nós mesmos com sobriedade e crítica, dedicando particular atenção aos mecanismos psicológicos da inércia social que retardam o ritmo da reestruturação e ameaçam a sua própria existência.
O comportamento social pode ser abordado quantitativamente, em termos do nível de envolvimento social ativo das pessoas, e qualitativamente, considerando o caráter e a direção desse envolvimento ativo, que pode ser construtivo ou destrutivo, consciente ou espontâneo, etc. Ambos dependem, primeiro, da estrutura social da sociedade; segundo, do nível de sofisticação de seus padrões e suas orientações de valor, incluindo um cânone normativo para o ser humano, uma noção do que ele deve ou não ser; e terceiro, das atitudes e estilo de pensar e autoconsciência dos indivíduos concretos empíricos. O comportamento social real é mais rico e mais variado que as exigências de uma estrutura social e prescrições normativas; ele varia largamente dentre grupos sociais e indivíduos com seus diferentes interesses.
Contato
© Kátharsis Psicologia.
Todos os direitos reservados.
