E. E. Kravtsova — A Psicologia não-clássica de L. S. Vigotski (2010)

Publicado em Journal of Russian and East European Psychology, v. 48, nº 4, 2010, pp. 17–24. Tradução por Patrícia Manczak.

A história da psicologia, especialmente no século XX, oferece evidências abundantes de que por muito tempo essa ciência seguiu o paradigma oferecido pelas ciências naturais. Esse paradigma pressupõe que há um objeto de estudo — um fenômeno físico, um problema da consciência humana ou algo completamente diferente — e há um sujeito que o estuda — um físico, psicólogo ou outro cientista. Por fim, há os dados obtidos no curso de observação ou experimentação cuidadosamente organizado que devem ser minuciosamente e repetidamente verificados e analisados estatisticamente. Este é o processo que leva a novos conhecimentos científicos nas áreas da física, psicologia e todas as outras ciências.

No entanto, juntamente com esse paradigma científico clássico, um paradigma completamente diferente surgiu no campo da física, que é representado em primeiro lugar nas obras de Niels Bohr. Nesta nova ciência não há oposição entre objeto e sujeito ou entre o experimentador e o sujeito-teste. De acordo com D. B. Elkonin, um dos estudiosos mais próximos de Vigotski, o que Lev Semenovich [Vigotski] propôs e demonstrou foi uma nova psicologia não-clássica. Assim como na física não-clássica, esta nova psicologia não tem experimentador ou sujeito de teste, e dentro dela leis muito distintas são verdadeiras que fazem com que seja possível descobrir o curso especificamente humano de desenvolvimento e ver uma pessoa como um indivíduo autorregulado.