
V. V. Lebedinski — Autismo como modelo do desenvolvimento emocional anormal (1996)
Publicado em Journal of Russian & East European Psychology, v. 35, nº 5, 1997, pp. 52–60. Tradução por Adriane Erbs.
V.V. Lebedinski
A compilação de um quadro multinível de deficiências secundárias a anomalias no desenvolvimento mental requerem diferenciação de todas as estruturas patológicas do ponto de vista dos mecanismos subjacentes à sua gênese. Vigotski (1983) criticou o modelo linear de organização das síndromes patológicas, como aquele característico do método clínico descritivo. Ele propôs, em vez disso, um modelo hierárquico que exigia a identificação do defeito primário diretamente responsável pelo distúrbio no substrato morfofisiológico e de alterações nas estruturas secundárias e terciárias, algumas das quais são consequência do defeito primário, outras são formadas indiretamente, e outras ainda são uma resposta da personalidade ao defeito. A vantagem desta abordagem é que ela permite primeiramente estabelecer relações de causa e efeito entre sintomas patológicos de complexidade variável, e concentrar as intervenções psicoterapêuticas e reabilitadoras no nível de desenvolvimento apropriado do transtorno.
A produtividade da ideia de Vigotski foi confirmada por toda nossa prática da ciência da defectologia (Foundations…, 1965). No entanto, na psiquiatria infantil, na qual G.E. Sukhareva (1930) defendeu posições semelhantes, estas não receberam apoio suficiente. As razões para isso serão discutidas com base na síndrome do autismo infantil precoce. L. Kanner (1985) foi o primeiro a descrever a síndrome do autismo infantil precoce. Os principais indicadores desta síndrome são uma insuficiência acentuada ou ausência total de contato com adultos e outras crianças, medo da novidade e de qualquer mudança no ambiente, brincadeiras monótonas e manipuladoras e comprometimento do aspecto comunicativo da fala a ponto do mutismo.
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