V.V. Lebedinski — Regularidades Psicológicas da Disontogênese (1985)

Publicado em Narusheniya psikhicheskogo razvitia u detei [Perturbações do Desenvolvimento Psicológico em Crianças]. M.: Izdatelstvo Moskovskogo universiteta, 1985. Tradução por Bruno D. Bianchi.

A relação entre as qualificações clínicas e psicopatológicas das perturbações psíquicas

Existem diferenças significativas entre a classificação clínica e a patopsicológica dos sintomas das perturbações psíquicas. Como é sabido, o clínico analisa os processos patológicos a partir da lógica da doença. Para ele, as unidades de consideração são as formas individuais da doença, cada uma com sua própria etiologia, patogênese, apresentação clínica, curso e desfecho, bem como sintomas e síndromes individuais. Os sintomas clínicos são vistos pelo clínico como manifestações externas dos processos fisiopatológicos.

Quanto aos mecanismos psicológicos dessas perturbações, sua consideração está na periferia dos interesses do médico.

Uma abordagem diferente é típica do patopsicólogo, que busca os mecanismos subjacentes às perturbações na atividade psicológica normal por trás dos sintomas clínicos. Portanto, o psicólogo geralmente realiza um estudo comparativo de padrões normais e patológicos de processos psicológicos (L. S. Vigotski, 1936; B. V. Zeigarnik, 1976; e outros).

Em outras palavras, ao qualificar um sintoma patológico, um patopsicólogo se refere a modelos de atividade psicológica normal, enquanto um clínico qualifica os mesmos transtornos a partir de uma perspectiva fisiopatológica. Isso não significa que o clínico não utilize normas em seu diagnóstico. Ele analisa esses dados sob a perspectiva dos processos fisiológicos. Assim, o conceito de norma, ou norma de reação, está presente tanto na análise clínica quanto na patopsicológica, embora em diferentes níveis de estudo.

Cada nível de análise — psicológico e fisiológico — possui características e padrões específicos. Portanto, os padrões de um nível não podem ser transferidos para o outro sem um exame específico dos mecanismos que mediam a relação entre esses níveis.