
A. N. Leontiev — A Vontade (1978)
Publicado em Vestnik Moskovskogo universiteta [Boletim da Universidade de Moscou]. Psikhologiya, nº 2, 1993, p. 3–14. Tradução pelo Coletivo Psicologia Materialista Histórico-Dialética.
A.N. Leontiev
Falar sobre a psicologia da vontade, especialmente quando é necessário fazê-lo de forma muito breve, é complicado, assim como é difícil falar brevemente sobre muitos outros processos psicológicos. Antes, é necessário dizer duas palavras sobre a história do próprio conceito de vontade.
A vontade foi por um bom tempo tratada como uma das faculdades psíquicas, então era impossível formular qualquer teoria ou realizar qualquer análise científica sobre ela. O mesmo foi dito em certo momento sobre o termogênico — ele representa uma determinada faculdade fundamental que possui sua própria expressão, cuja essência é, no entanto, desconhecida porque ele gera a si mesmo. A faculdade da vontade gera a expressão da vontade. Quando falamos sobre o termogênico, não há outra faculdade que podemos usar na nossa explicação. É suficiente indicar que o calor é gerado pelo termogênico. A razão, a vontade e a sensação — essas são as três faculdades. Até o presente, a teoria das faculdades psíquicas, com uma nova roupagem, continua a ser aplicada especificamente à vontade.
É suficiente apontar que mesmo William James — em cuja época já havia sido acumulado um extenso material factual, experimentos estavam sendo conduzidos, medidas estavam sendo tomadas, e já se sabia um tanto sobre os métodos de pesquisa psicológica — continuou a sustentar a posição da existência de determinados atos especiais. Ele chamou esses atos de decreto — “que assim seja”, usando o famoso fiat lux bíblico, “que haja luz, e houve luz”. Mesmo quando James escreveu sobre os movimentos ou ações ideomotores, isto é, quando ele examinou o princípio muito importante de que a emergência, a aparência de uma ideia de um movimento por necessidade se transforma em um movimento, ele não abandonou a ideia de “decreto”, porque algum pré-requisito era necessário para essa transformação. E ele viu esse pré-requisito na força que ele não podia mais dividir, no próprio “decreto”.
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