
G. Lukács — Arte Doente ou Saudável? (1952)
Publicado em Schicksalswende. Berlin: Aufbau-Verlag, 1956, pp. 155–161. Tradução por Bruno Bianchi.
G. Lukács
Em uma palestra em Paris sobre a estética do marxismo, eu abordei brevemente este assunto. Como resultado da natureza sucinta do tratamento ali exigido, as minhas observações causaram mal-entendidos. Estou aqui na tentativa de, o mais brevemente possível, corrigir estes mal-entendidos.
Portanto, acima de tudo: doença ou saúde não são aqui entendidas biologicamente, mas antes de tudo sócio-históricas. A partir desta base, elas provam ser disposições importantes dos princípios estéticos gerais.
Marx falou muito claramente sobre esse caráter histórico-relativo do que deve ser considerado normal em uma carta mencionada por Engels. Ele cita o Nibelungo de Wagner: “Já se ouviu falar de um irmão que abraçou a irmã como uma noiva?”, e continua: “aos ‘deuses da luxúria’ de Wagner que, de forma bastante moderna, tornam os seus assuntos amorosos mais picantes, acrescentando um pouco de incesto, Marx responde: ‘Nos tempos primitivos, a irmã era a mulher, e isso era moral’”[1].
As relações entre as pessoas mudaram historicamente, e as avaliações mentais e emocionais dessas relações mudaram em conformidade. No entanto, esta percepção não implica relativismo. Num determinado tempo, uma determinada relação humana significa progresso, outra significa reação.
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