
G. Lukács — Por que a burguesia precisa do desespero? (1948)
Publicado em Schicksalswende: beiträge zu einer neuen deutschen Ideologie, Berlim, Aufbau-Verlag, 1956, pp. 151-154. Tradução por Bruno Bianchi.
G. Lukács
A ideologia tradicional, habitual, de defesa da burguesa é a idealização: sob uma forma ideal e artística, devem desaparecer as oposições brutais, os horrores criados pela sociedade capitalista. É assim que, após mais de um século, toda a ciência e a arte são baseadas na apologia, a começar pela filosofia acadêmica. Esta orientação atingiu a sua forma mais grosseira nos filmes hollywoodianos, mas muitas vezes a filosofia professoral nada mais é do que um filme com um happy end, sob uma forma conceitual.
Diante da assustadora realidade das últimas décadas, a idealização pura revelou-se, portanto, demasiada fraca, ineficaz. Ao menos nas esferas da reflexão da intelligentsia burguesa; esconder os fatos chocantes da vida social, apagando-os mesmo com os meios mais simples, havia se tornado impossível.
No consiste então, em tais circunstâncias, a dificuldade para a ideologia apologética burguesa? É a pressão dos fatos sobre o pensamento. Este mundo, que a ideologia burguesa ordinária tende a representar como um todo harmonioso, apresenta-se aos homens como um caos assustador e absurdo. Uma tentativa é feita para que eles engulam um mal-estar, presente neles, de sentimentos intrusivos, às vezes, como o início de uma contradição, como o início de uma revolta contra o mundo imperialista. Há então um perigo ameaçador, o da fração pensante da intelligentsia aderente ao socialismo.
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