
G. Lukács — Manipulação Cultural e papel da crítica (1965)
Publicado em Cinema nuovo, nº 178, novembre-dicembre, 1965. Traduzido por Bruno Bianchi.
G. Lukács
Diante da tarefa, certamente lisonjeadora para mim, de escrever uma introdução para o seu novo livro[1], não posso esconder meu constrangimento e as inibições que me surgem. Elas surgem de uma consciência bem fundamentada da minha incompetência quando se trata de formular juízos concretos em discussões concretas sobre os problemas do cinema.
É verdade que com os problemas do cinema eu já havia me ocupado na juventude. Se, ainda hoje, não posso se não considerar como unilateral e ocasional a escrita que lhe dediquei naquela época[2], ela ainda testemunha um interesse vital ao nascimento de um novo gênero de arte, e numa época em que ainda havia poucos, mesmo entre os produtores e críticos, que acreditavam que uma nova arte havia nascido. Desde então, tenho continuado a acompanhar a evolução do cinema com grande interesse, embora a falta de tempo e o campo central da minha atividade nunca me permitiram aprofundar concretamente em problemas particulares, o que me parece ser o único modo de adquirir uma competência autêntica e não fictícia. Ultimamente, na primeira parte da minha estética (Die Eigenart des Ästhetischen[3]), tenho tentado tomar uma posição sobre o que me parece ser, em princípio, os problemas mais importantes de uma estética do cinema. Também naquela ocasião tentei não me passar por um especialista em questões particulares, que são, em última análise, aquelas que são frequentemente de excepcional importância na arte, e sem a possibilidade de examinar em detalhes a evolução histórica da nova arte. Devo dizer que eu acreditava — e acredito ainda hoje — que os mais relevantes problemas sociais e estéticos ligados à arte cinematográfica poderiam ser compreendidos como um todo, mesmo por aqueles que, incapazes de fazer de outra forma, os considerariam de um ponto de vista abstrato.
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