G. Lukács — Marx e Goethe (1970)

Publicado originalmente em G. Lukács, Revolutionäres Denken, Darmstadt und Neuwied, Luchterhand, 1984, pp. 154–162. Tradução por Bruno Bianchi.

Se falo nesta ocasião[1], em primeiro lugar impõe-se a mim como tema a minha relação com Goethe, com a sua obra, com o seu estilo de vida e a sua visão de mundo; relação que possui uma grande importância para mim, para o meu trabalho e para a minha relação com o mundo. A concessão do Prêmio “Goethe” tem, para mim, um significado múltiplo. Gostaria de tentar exprimir os meus agradecimentos por esta grande honra de modo, de alguma forma, apropriado.

Entendam, por favor, que começo de maneira autobiográfica, com recordações que remontam à minha juventude distante.

O meu primeiro ensaio digno de ser levado a sério foi escrito em 1907 e se referia a Novalis[2]: mas mesmo quando a filosofia da vida novalisiana dá forma ao conteúdo central deste artigo, já estou falando naquele tempo de Goethe — pode-se dizer também de forma essencial — como parâmetro para a existência humana. Posso dizer tranquilamente que a minha relação com o estilo de vida e a visão de mundo própria de Goethe nunca perdeu em meu pensamento e em meu trabalho essa importância.

Basta citar meu livro Teoria do Romance, para demonstrar essa relação.

Me sinto, então, literalmente e moralmente credenciado para receber essa importante homenagem, na medida em que o intenso interesse pela obra de Goethe determina, até hoje, a minha relação com a realidade social no presente, no passado e no futuro.