A. R. Luria — A Linguagem interna e a organização cerebral da função reguladora da linguagem (1984)

Publicado em Conciencia y lenguaje. Madrid: Visor Libros, 1984, pp. 122–132. Tradução por Teylor Lourival.

Já estudamos as primeiras etapas da formação da função reguladora da palavra, como resultado da qual surge progressivamente na criança a capacidade de subordinar sua ação à instrução verbal do adulto. Já vimos que nestas etapas a organização do ato voluntário da criança tem um caráter interpsíquico quando se unem a linguagem da mãe e a ação da criança.

Entretanto, a ação voluntária só começa com a capacidade de subordinar a ação da criança à instrução verbal do adulto. Esta função interpsíquica, ou seja, uma função compartilhada entre duas pessoas, começa a converter-se, progressivamente, em um processo intrapsíquico. A ação dividida entre duas pessoas (a mãe e a criança) muda de estrutura, se interioriza e se converte em intrapsíquica e então a linguagem da própria criança começa a regular sua conduta. No início da regulação da conduta pela própria linguagem exige da criança uma linguagem que é um desdobramento externo e logo a linguagem progressivamente “é dobrada”, transformando-se em linguagem interna. Por este caminho se forma o complexo processo de ação voluntária autônoma, que é, essencialmente, a subordinação da ação não à linguagem do adulto, mas sim à própria linguagem da criança.

Nossa tarefa consiste em seguir esta segunda etapa de formação do ato voluntário, ou seja, fazer uma análise de como se forma a linguagem interna da criança, que tem uma função reguladora, que é a estrutura desta linguagem interna.