A. R. Luria — A Psicanálise (1940)

Publicado em Bolshaia Sovietskaia Entsiklopedia, t. 47. M-L, 1940, pp. 186–187. Tradução por Bruno Bianchi.

Método de tratamento de neuroses, baseado na identificação de traços inconscientes de vivências afetivas subjacentes às neuroses; ao mesmo tempo, a teoria da estrutura da psique humana e dos processos inconscientes, criada pelo psiquiatra vienense S. Freud, com base na aplicação desse método.

Em 1882, o neurologista vienense O. Breuer demonstrou que é possível curar casos de histeria se, imergindo o paciente em um estado hipnótico, fizer com que ele se lembre das vivências afetivas ou dos conflitos que já foram vivenciados por ele e que ficaram esquecidos por muito tempo. A experiência demonstrou que o ressurgimento dessas vivencias na consciência levou à sua compreensão, “reação” e recuperação da doença. Em 1895, S. Freud mudou significativamente esse método, mostrou que a detecção de vivências afetivas que se tornaram inconscientes era possível sem o uso da hipnose; para esse propósito, bastava sugerir ao paciente que, por um longo tempo, em um estado completamente calmo e “passivo”, dissesse todos os pensamentos e associações que aparentemente vinham acidentalmente à sua cabeça, sem reter nada e, se possível, sem mudar ativamente sua precisão.

Uma “associação livre” tão longa geralmente levava ao fato de que o círculo de associações se estreitava em torno de certas camadas afetivas, complexos (ver), e na memória do paciente apareciam vivências afetivas há muito esquecidas, às vezes pertencentes a uma idade muito precoce. Tais vivências, como a experiência demonstrou, só pareciam ter desaparecido completamente da psique; na verdade, elas só eram esquecidas ou ativamente eliminadas, “deslocadas”, da consciência, no caso de serem muito afetivas, inaceitáveis ou traumáticas.