A. R. Luria — L. S. Vigotski e o problema da localização funcional (1966)

Publicado em Soviet Psychology, vol. 5, nº 3, 1967, pp. 53–57. Tradução por Bruno Bianchi.

Quarenta anos atrás, em meados dos anos 1920, um jovem psicólogo soviético, ainda antes dos trinta, chegou à Clínica de Doenças Nervosas, primeiro para observar, e em seguida para conduzir sua própria pesquisa independente. Seu nome era L. S. Vigotski.

Diferente de muitos outros, incluindo do professor G. I. Rossolimo, o diretor da Clínica, ele não havia vindo para realizar testes psicológicos para o aperfeiçoamento de diagnósticos de doenças cerebrais. Sua tarefa era incomparavelmente mais ampla: ele via a análise das infecções cerebrais locais como o meio básico para resolver questões fundamentais da estrutura dos processos mentais e do substrato material de formas complexas de atividade mental. Alguns anos depois, ele escreveu: “Parece-me que o problema da localização, como um canal comum, inclui o exame tanto do desenvolvimento quanto da desintegração das funções psicológicas superiores”. Isso foi em uma palestra que ele leu seis meses antes de sua morte: O problema do desenvolvimento e desintegração das funções psicológicas superiores[1].

Vigotski abordou o problema da localização das funções psicológicas a partir de uma posição bem pensada e inovadora, que desde o início se opôs aos princípios psicológicos e neurológicos básicos da época.