G. Mamedov & O. Shatalova — A teoria queer-comunista de Evald Ilienkov e Alexander Suvorov (2017)

Against Simple Answers: the queer-communist theory of Evald Ilyenkov and Alexander Suvorov, em 17 de Agosto de 2017. Tradução por Bruno Bianchi.

Em maio de 2012, durante dez noites em nosso espaço em Bishkek, organizamos, junto com Labrys (a mais antiga organização LGBT do Quirguistão), uma “Oficina de Protesto Inalienado”. Reunimos ativistas LGBT, artistas e outras pessoas preocupadas com a causa para elaborar imagens e slogans contra a homofobia e a transfobia. Todos os eventos da oficina, incluindo a apresentação final em 17 de maio, o Dia Internacional contra a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia (IDAHOBIT), foram abertos a uma ampla audiência e ganharam cobertura da mídia. Foi uma experiência inspiradora, e imaginamos que no 17 de maio seguinte realizaríamos um evento público ainda maior. No entanto, essa “Oficina de Protesto Inalienado” deveria continuar sendo nosso maior evento público em apoio às comunidades LGBT. Em 2013, a homofobia e a transfobia, que no ano anterior eram aparentemente apenas uma questão de preconceito arcaico, se tornariam foco principal da política estatal contemporânea. Ainda no mesmo ano, o parlamento russo aprovaria uma lei sobre “propaganda gay”, declarando a agenda LGBT o principal antagonista dos “valores tradicionais”, cuja defesa e promoção se tornariam a missão global da Rússia de Putin.

O Quirguistão é um dos países mais leais da Rússia da antiga União Soviética. Muitos habitantes recebem suas informações da mídia russa, e o político mais popular no Quirguistão é Vladimir Putin. Portanto, não surpreende que a homofobia política das telas da televisão russa tenha mudado rapidamente para a vida real no Quirguistão. No outono de 2013, as autoridades proibiram a exibição do filme I am Gay and Muslim no festival de direitos humanos Bir Duino (Um Mundo)[1], e, no início de 2013, os deputados quirguizes já estavam elaborando sua própria lei sobre a “propaganda gay”. O projeto de lei ficou “preso” entre a Segunda e Terceira Leituras no Parlamento e, portanto, não foi aprovado, mas, na fase de discussão, grupos de ultradireita, radicalmente inclinados, já haviam começado a utilizá-lo como uma forma de validação à sua violência contra pessoas LGBT.