
Mao Zedong — Comentários sobre o suicídio da Senhorita Zhao (1919)
Publicado no jornal Dagongbao de Changsha entre 16 e 28 de novembro de 1919. Tradução por Bruno Bianchi.
Mao Zedong
Quando algo acontece na sociedade, não devemos diminuir sua importância. O pano de fundo de qualquer evento contém uma multiplicidade de causas para sua ocorrência. Por exemplo, o evento da “morte de uma pessoa” pode ser explicado de duas formas. Uma é biológica e física, como no caso de “falecer na velhice”. A outra vai contra os fatores biológicos e físicos, como no caso da “morte prematura” ou da “morte não-natural”. A morte da Senhorita Zhao por suicídio pertence a essa categoria de “morte não-natural”[1].
O suicídio de uma pessoa é determinado inteiramente pelas circunstâncias. A intenção original da Senhorita Zhao era buscar a morte? Se, no fim, a Senhorita Zhao escolheu a morte, era porque as circunstâncias a levaram a isso. As circunstâncias nas quais a Senhorita Zhao se encontrava incluíam: 1) a sociedade chinesa; 2) a família que vivia na residência Zhao na Rua Nanyang em Changsha; 3) a família Wu, do Jardim Laranja em Changsha, a família do marido que ela não desejava. Esses três fatores constituíam três redes de ferro, que podemos imaginar como uma construção triangular. Dentro dessa rede de ferro triangular, no entanto, independente do quanto a Senhorita Zhao buscou a vida, não havia maneira dela continuar vivendo. O oposto da vida é a morte, e então a Senhorita Zhao foi obrigada a morrer.
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