
K. Marx — O Crescimento da loucura na Grã-Bretanha (1858)
Publicado em New-York Daily Tribune, nº 5407, 20 de agosto de 1858. Tradução por Pedro Henrique Costa.
K. Marx
Na Inglaterra e no País de Gales existem, para acomodação de loucos de todos os tipos e de todas as classes, 37 asilos públicos, dos quais 33 são de condados e 4 municipais; 15 hospitais; 116 serviços residenciais particulares licenciados, dos quais 37 são metropolitanos e 79 provinciais; e por último, as workhouses. Os asilos públicos, ou asilos para loucos propriamente ditos[4], eram, por lei, exclusivamente destinados ao acolhimento dos loucos pobres, para serem utilizados como hospitais para tratamento médico, e não como locais seguros para a mera custódia de loucos. De modo geral, pelo menos nos condados, podem ser considerados estabelecimentos bem regulamentados, embora de construção extensa demais para serem devidamente supervisionados, superlotados, carentes da separação cuidadosa das diferentes classes de pacientes, e ainda assim incapazes de acomodar aproximadamente mais da metade dos loucos pobres. Afinal, o espaço proporcionado por esses 37 estabelecimentos, espalhados por todo o país, seria suficiente para abrigar mais de 15.690 internos.
A pressão sobre esses asilos caros por parte da população louca pode ser ilustrada por um caso. Quando, em 1831, Hanwell (em Middlesex) foi construído para 500 pacientes, supunha-se que era grande o suficiente para atender todas as necessidades do condado. Mas, dois anos depois, estava cheio; depois de mais dois anos, teve de ser ampliado para mais 300 [pacientes]; e neste momento (enquanto isso, Colney Hatch foi construído para receber 1.200 indigentes loucos pertencentes ao mesmo condado) Hanwell contém mais de 1.000 pacientes. Colney Hatch foi inaugurado em 1851; dentro de um período de menos de cinco anos, tornou-se necessário apelar aos contribuintes [rate-payers] para acomodação adicional; e os últimos resultados mostram que no final de 1856 havia mais de 1.100 loucos indigentes pertencentes ao condado sem provisão de tratamento em qualquer um de seus asilos. Embora os asilos existentes sejam muito grandes para serem administrados adequadamente, seu número é muito pequeno para atender à rápida disseminação de transtornos mentais. Acima de tudo, os asilos devem ser separados em duas categorias distintas: asilos para os incuráveis, hospitais para os curáveis. Ao amontoar as duas classes, nenhuma recebe o tratamento e a cura adequados.
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