V. V. Nikolaeva, G. A. Arina, & V. M. Leonova — O desenvolvimento psicossomático infantil (2012)

Publicado em Kulturno-Istoricheskaia Psikhologia, nº 4, 2012, pp. 67–72. Tradução por Bruno Bianchi.

A abordagem de P. Ia. Galperin, focada no processo de domínio de uma ação externa e sua transferência para o plano interno ideal, tem como objetivo resolver a questão de como as funções psicológicas concretas são formadas, ou seja, de fato, descreve o processo de internalização [interiorizatsii]. Como resultado de pesquisas teóricas e experimentais realizadas, incluindo por seguidores de P. Ia. Galperin, foi criada a teoria da formação por etapas das ações mentais, bem como muitos métodos e formas de aplicar essa teoria na prática do ensino em escolas e outras instituições educacionais[1]. Entretanto, é óbvio que o estudo da internalização, como um mecanismo universal de socialização psicológica, não pode se limitar apenas ao campo da atividade cognitiva. O grande número de pesquisas realizadas dentro da estrutura dessa abordagem, a riqueza dos resultados obtidos e a validade de sua conceituação demonstram as possibilidades de aplicação bem-sucedida da teoria e levantam a questão sobre a possível expansão das áreas de pesquisa.

Presumimos que o conceito de P. Ia. Galperin pode servir como base metodológica para a pesquisa no campo não apenas cognitivo, mas também de alguns outros processos psicológicos, que passam por um caminho semelhante de internalização e, na forma madura, representam funções socializadas, cultural e historicamente mediadas. Assim, algumas disposições do conceito podem ser aplicadas à análise do desenvolvimento psicossomático da criança, que deve ser considerado como um processo de domínio ativo das funções corporais, que se desdobra de acordo com os mecanismos de internalização descritos por P. Ia. Galperin. Na psicologia da corporeidade, há algumas dificuldades em definir o campo dos fenômenos psicossomáticos peculiares ao desenvolvimento normal e saudável do ser humano[2]. No senso comum, os fenômenos corporais são geralmente entendidos como de natureza biológica, mas em sua forma madura são o produto de uma linha especial de desenvolvimento — a psicossomática, no processo em que as manifestações corporais são socializadas, adquirindo novos mecanismos reguladores de nível psicossocial.