
N.N. Obozov — Sobre a estrutura tricomponente da interação interpessoal (1981)
Publicado em Bodalev, A.A. (ed.), Psikhologia Mezhlichnostnogo Poznania. Moskva: Pedagogika, 1981, pp. 80-92. Tradução por Bruno Bianchi.
N.N. Obozov
Mesmo na filosofia clássica e indiana antiga, é possível identificar a distinção entre uma estrutura tripartite do comportamento humano (em sentido amplo), na qual se manifesta a psique (cognição, afeto e conação). Os filósofos antigos construíram seus conceitos filosóficos com base em observações empíricas da realidade ao seu redor. Sem as técnicas sofisticadas das ciências biológicas e sociais, eles observavam e avaliavam os fenômenos em sua totalidade e integridade, o que correspondia à verdade. No entanto, é característico que, ao descreverem o comportamento humano de forma integral, eles destacaram três componentes (ou elementos).
Atualmente, a necessidade de distinguir três componentes constituintes e interconectados na estrutura da interação interpessoal está se tornando cada vez mais evidente: prático, afetivo, gnóstico (A. A. Bodalev [1; 2]); comportamental, afetivo, cognitivo (Ia. L. Kolominski [5]); regulatório, afetivo, informacional (B. F. Lomov [6]).
Em russo, interação [Vzaimodeistvie][1] é definida como “a conexão mútua de dois fenômenos”. Este artigo, além de definir o conceito de “interação”, apresenta diversos outros conceitos que caracterizam e elucidam o significado do conceito básico: “interrelação” (normal ou anormal em termos de satisfação), “assistência mútua” (pessoas auxiliando umas às outras) e “compreensão mútua” (pessoas se entendendo, acordo)[2]. É fácil perceber que todos os três conceitos são específicos e estão incluídos no conceito geral de “interação”. Cada um deles revela os componentes afetivos, gnósticos (cognitivos, informacionais) e comportamentais (práticos, regulatórios) da interação humana na vida real.
Qual é o conteúdo psicológico de cada um dos três componentes?
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