
G. Oldrini — O Cinema segundo Ejzenštejn (1991)
Publicado em Gli autori e la critica. Fatti e misfatti nel mondo del cinema. Bari: Dedalo Edizioni, 1991.
G. Oldrini
É bom que sobre a reflexão teórica de Ejzenštejn não desça um véu de esquecimento. Junto com Vsevolod Pudovkin, mas em um nível de consciência, preparação e talento artístico ainda maior, Sergej M. Ejzenštejn (1898–1948) foi de fato a ponta de lança do cinema soviético clássico, o autor que, primeiro com O Encouraçado Potemkin (1925), e depois com as duas partes de Ivan, o Terrível (1942–46), marcou o caminho para o amadurecimento estético do cinema, não apenas em seu país. Este amadurecimento aconteceu para ele continuamente, ao mesmo tempo, do lado teórico e do lado prático, da realização. A questão se a linguagem precede em Ejzenštejn a teoria ou a teoria a linguagem parece-nos hoje resolvida pacificamente no sentido de que, representando ambos os lados, sob todos os pontos de vista, uma ruptura clamorosa com o passado, sua gênese é simultânea e um lado encontra sempre apoio, confirmação e verificação no outro.
Existem agora numerosos testemunhos biográficos e autobiográficos do qual dispomos para um reexame da carreira intelectual de Ejzenštejn. Graças às suas memórias, às suas reflexões como diretor, aos textos das conferências por ele proferidas por muitos anos no Instituto Cinematográfico do Estado de Moscou, tornou-se repetidamente claro, entre outras coisas, o quanto a sua grandeza artística está conectada com a complexidade da sua formação e com o refinamento e a minuciosidade que, como artista, ele depositava na preparação de seu trabalho. Em particular, sobre a base das sugestões e dos conselhos que como professor ele dava aos seus alunos, das explicações, das intervenções, dos diagramas e dos esboços gráficos em que ele vinha traduzindo os ensinamentos orais (visto que — dizia — “um diretor deve ser capaz de fixar em desenhos as ideias das suas soluções figurativas”), é fácil identificar nas aulas, para além de qualquer preocupação pedagógica, uma coerente linha de investigação, muito útil para lançar luz também ao nível das ideias artísticas, não só para as contínuas referências e relações estabelecidas com os filmes, mas pelos exemplos aqui e ali eram fornecidos com o objetivo de uma concretização prática da teoria, de uma utilização concreta dos princípios compositivos.
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