
G. Oldrini — O (falso) problema do cinema de autor (1991)
Publicado em Gli autori e la critica. Fatti e misfatti nel mondo del cinema, Edizioni Dedalo, Bari 1991, pp. 95–103. Tradução por Bruno Bianchi.
G. Oldrini
Uma série de motivos ligados com a peculiar natureza e estrutura do produto fílmico, com a complexidade de seu aparato produtivo, com a gama de colaboradores, meios técnicos, etc., que a sua gênese postula e coloca em movimento, fazem com que na teoria do cinema venha repetidamente à tona a questão do “autor”. Naturalmente, é preciso entender bem. Quando discutiram essa questão teóricos como Bela Balázs, como Bárbaro, como Chiarini, eles tinham diante de si algo bem diferente do que constitui hoje o núcleo conceitual da questão. Trava-se então essencialmente de esclarecer em torno de um ponto: se e em que medida existe também para o cinema um “autor” no sentido estético do termo; se, sendo o filme sempre fruto de uma colaboração entre vários indivíduos, excluindo o “individualismo absoluto”[1], podemos reconhecer ou não a expressão do talento de uma personalidade criativa.
Como é imediatamente evidente, este era e é um problema não específico do cinema, mas geral da teoria da arte, da estética. Portanto, ele pode ser colocado e resolvido corretamente, na medida em que se enquadra dentro dos problemas gerais da estética e a ele valem também as mesmas categorias que a estética faz valer para a resolução do problema da criatividade da arte. Ora, se o sucesso e a eficácia de uma obra de arte original pressupõe, sem dúvida, a existência de uma vontade unitária, isso não implica necessariamente que a unificação se realize através do trabalho de um sujeito singular; assim como o conceito de “originalidade” abrange algo mais e diverso da soma de módulos, estilos, descobertas, experientes, etc., colocados de tempos em tempos conscientemente em funcionamento por aquele que cria: abraça a objetividade da forma artística como resultado. Há casos concretos de colaboração nas artes, na arquitetura, na pintura, na própria literatura narrativa e dramática (pares de autores como Beaumont-Fletcher, Erckmann-Chatrian, Ilf-Petrov, os irmãos Goncourt, etc.), que demonstram isso bem antes das demonstrações que podem ser obtidas no cinema.
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