
G. Politzer — A Psicologia Geral e a Psicotécnica (1929)
Publicado em POLITZER, G., La Crise de la Psychologie Contemporaine. Paris: Éditions Sociales, 1947. Tradução por Bruno Bianchi.
G. Politzer
Certamente não lhes escapou que depois de cinquenta anos de tentativas, a psicologia ainda não chegou hoje a um ponto em que lhe seja possível formar uma ideia clara de seus fundamentos: definir o fato e o método psicológico de uma maneira que possa ser aceita por todos os psicólogos. A causa desta situação reside certamente no fato de que, por um lado, o corpo de doutrinas da psicologia tradicional, em particular a doutrina realista da vida interior[1], é incapaz de ser tratado em conformidade com o espírito das ciências positivas, sendo de origem de todo diferente da experiência, e que, por outro lado, na maior parte das tentativas, esta doutrina sobrevive com uma tenacidade extraordinária, contrariando os melhores esforços.
Eis por que a preocupação mais importante das tentativas mais recentes é de liquidar a psicologia clássica, seja rompendo resolutamente com as noções tradicionais, seja colocando em evidência a falsidade ou a esterilidade de seus procedimentos fundamentais.
Ora, a experiência dos diversos programas que foram lançados nos últimos tempos, nenhum dos quais conseguiu dar inteira satisfação, mostra bem que a solução do problema dos fundamentos da psicologia não poderá ser alcançada por meio de especulações puramente teóricas, e que a única maneira de liquidar as concepções inoportunas consiste em libertar a inspiração fundamental das investigações psicológicas que, pela sua própria orientação, se encontram não apenas em contato íntimo com os fatos verdadeiros, mas também, naturalmente, fora dos problemas e ocupações tradicionais da psicologia clássica.
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