E. Reed — Autorretrato de um Misógino (1977)

Publicado em Sexism and Science. New York: Pathfinder Press, 1981. Tradução por Felipe Huerta.

Em palestras que tive por todo o país, inúmeras feministas expressaram indignação com as visões sexistas defendidas pelo antropólogo Lionel Tiger[1]. Um estudo atento de seu trabalho mais conhecido, Homens em Grupos, mostra ampla causa para a raiva delas.

Atualmente professor na Universidade Rutgers, Tiger ganhou destaque com a publicação deste livro em 1969, não muito tempo depois do surgimento do movimento feminista. Um ponto de vista com viés masculino não é novidade nas ciências sociais. Mas a postura de duas caras de Tiger o coloca em um nicho especial. Mal escondendo sua animosidade em relação às mulheres, ele se apresenta como seu amigo benevolente. É sua linha de justificação ultrassofisticada e astuta em defesa da supremacia masculina.

A tese central de Tiger é que apenas os homens têm a capacidade de formar vínculos uns com os outros, uma característica que ele chama de “vínculo masculino”. Ele declara que isso é construído exclusivamente na “infraestrutura biológica” do sexo masculino, sem contrapartida entre as mulheres. Uma fêmea pode formar laços maternos com sua prole e um vínculo sexual com o macho que a engravidou, mas, de acordo com Tiger, ela é incapaz de formar qualquer vínculo com outras fêmeas.