
S. Ia. Rubinstein — Ideias de L. S. Vigotski no campo da Patopsicologia (1981)
Publicado em Nautchnoe tvortchestvo L. S. Vigotskogo i sovremennaia psikhologuiia, 1981, p. 132–135. Tradução por Achilles Delari Jr.
S. Ia. Rubinstein
L. S. Vigotski propôs distinguir indícios[1] nucleares e primários de retardo mental das camadas secundárias e terciárias que se sobrepõem a esse núcleo. Dentre as camadas secundárias, Vigotski incluiu as formas superiores de memória, pensamento e caráter.
Assim, Vigotski escreveu: “a primeira e mais frequente consequência que surge como síndrome secundária no retardo mental é o desenvolvimento incompleto de funções psicológicas superiores. Isso, frequentemente, pressupõe um desenvolvimento incompleto de formas superiores de memória, pensamento, caráter, constituídas e originadas no processo social de desenvolvimento da criança. Junto a isso, é notável o fato de que, por si mesmo, o desenvolvimento incompleto de funções psicológicas superiores não esteja necessariamente relacionado com o quadro da debilidade” [Vigotski L. S. Diagnóstico do desenvolvimento e clínica pedológica da infância difícil. — M., 1936, p. 29][2].
E em outro trabalho seu: “a psicologia infantil … estabeleceu-se com base na concepção de que o domínio de formas culturais de comportamento é um sintoma tão natural da maturação orgânica quanto certos indícios corporais. Posteriormente, esses sintomas começaram a ser confundidos com o conteúdo do desenvolvimento orgânico. Primeiro, observou-se que um atraso no desenvolvimento da fala ou uma incapacidade de dominar a linguagem escrita em determinada idade são frequentemente sintomas de retardo mental. Posteriormente, esses fenômenos começaram a ser confundidos com a própria essência de tal condição, cujos sintomas eles [tais fenômenos] podem manifestar sob determinados requisitos. Toda a defectologia tradicional, todos os ensinamentos sobre desenvolvimento e características de uma criança anômala, até mais do que a psicologia infantil, foi impregnada pela ideia de uniformidade e unicidade do processo de desenvolvimento infantil e colocou características primárias (biológicas) e secundárias (culturais), da criança com deficiência, em uma única série de consequências do defeito” [Vigotski, L. S. Desenvolvimento das funções psíquicas superiores. — M., 1960, p. 54–55][3].
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