S. Ia. Rubinstein & B. V. Zeigarnik — Psicologia e Medicina (1978)

Publicado em Materialy k simpoziumu [Anais de Simpósio]. M., 1978, pp. 37–42. Tradução por Bruno D. Bianchi.

Comparado com outras áreas de aplicação da psicologia (pedagogia, indústria, etc.), seu uso na medicina fica claramente aquém das necessidades da prática. Para superar esse atraso, precisamos entender suas causas e, tendo abandonado as falsas maneiras de “encobrir” deficiências, delinear alguns caminhos, ainda que difíceis, mas muito produtivos, para futuras pesquisas.

Em todas as áreas da medicina, as questões sobre o papel das propriedades psicológicas de um ser humano doente na superação da doença ou no seu agravamento tornaram-se extremamente relevantes. Estuda-se, segundo R. A. Luria, o chamado “quadro interno da doença” e a influência das doenças somáticas nas propriedades psíquicas.

Até anos recentes, os dados da psicologia eram utilizados mais em uma área da medicina: a psiquiatria. Surgiu uma ciência limítrofe chamada patopsicologia. É claro que as tarefas práticas e teóricas da psicologia em toda a medicina são mais amplas do que as tarefas mais específicas da patopsicologia. Mas sua experiência deve ser aproveitada para o amplo problema da relação entre “psicologia e medicina”. Esta experiência é especialmente significativa, primeiramente porque em qualquer campo da medicina, dados psicológicos são usados principalmente para qualificar o estado da psique do ser humano e, em segundo lugar, porque de todos os campos aplicados da psicologia, é a patopsicologia que tem sido implementada na prática mais do que outras.