I. M. Sechenov — Elementos do Pensamento, Capítulo IV (1903)

Publicado em Selected Physiological and Psychological Works. Moscow: Foreign Languages Publishing House, 1955, pp. 316–330. Tradução por Heitor G. Roman.

1. A maior parte dos dois capítulos anteriores foi dedicada a elucidar, em linhas gerais, os primeiros passos da evolução ou decomposição de sensações integrais. Fiel à hipótese de Spencer, tentei deduzir todo o processo exclusivamente da interação repetida de dois fatores variáveis — as influências externas e o terreno sobre o qual elas incidem, ou seja, das influências externas repetidas e das reações da organização neuropsíquica, tanto sensorial quanto motora. Particularmente, acentuei as propriedades fundamentais da organização nervosa que determinam a possibilidade de decompor sensações integrais e recombinar seus elementos em grupos ou cadeias; o papel geral da organização nervosa está agora claro o suficiente para me permitir definir alguns dos elementos gerais do pensamento (o leitor lembrará que esses elementos são: a separação dos objetos, sua confrontação entre si e as formas gerais dessa confrontação). Mas é impossível definir todos os elementos do pensamento até que tenhamos elucidado completamente o papel geral do segundo principal fator, ou seja, das influências externas.

Já toquei nesse ponto, embora de forma passageira e muito geral. Para explicar o isolamento das impressões das formas integrais de sensação, tive que apresentar as influências externas na forma de “somas variáveis” ou cadeias, admitindo ao mesmo tempo que um grupo definido de sensações sempre corresponde a uma soma definida de fenômenos. Mas não aprofundei essa questão. A fórmula da “soma variável” foi suficiente para elucidar os processos de decomposição e agrupamento de impressões em geral e para mostrar a importância da participação das influências externas nesses processos; mas essa fórmula, sendo muito geral, não revela as direções desta variabilidade. Portanto, deve ser aprofundada.