V. Bambirra — Libertação da mulher e luta de classes (1972)

Publicado em Punto Final, año VI, n. 151, 1972, pp. 10–15. Tradução por Teylor Lourival.

O sistema capitalista, tanto nos países desenvolvidos como nos dependentes, tem sido incapaz de promover uma efetiva “libertação da mulher”. E se este sistema libertou a mulher do jugo feudal, a submeteu a novas formas de dominação.

No capitalismo se pretendeu superar a milenar família patriarcal. Mas na forma da família do casal, que a substituiu, a mulher também encontrou uma posição subalterna; ficou relegada aos trabalhos domésticos esgotantes e sem remuneração; tratou-se de incorporá-la ao processo produtivo, mas esta incorporação foi complementar e restringida e, de modo geral, em condições de maior espoliação. Em todo caso, resultou numa dupla exploração de seu trabalho, conforme os trabalhos fora do lar se somam às tarefas domésticas. Finalmente, a redução da mulher à categoria de objeto nunca foi tão utilizada por um sistema como no capitalista, apesar de todas as “conquistas” que foram alcançadas como é o caso de alguns direitos jurídicos.

É por isso que os defensores do sistema burguês não têm autoridade política, social nem moral para darem a si mesmos o título de defensores da mulher como categoria social.