L. S. Vigotski — O Fascismo na Psiconeurologia (1934)

Publicado em VAN DER VEER, R.; VALSINER, J. (Eds.), The Vygotsky Reader. Oxford: Blackwell, 1994, pp. 327–338. Tradução por Achilles Delari Jr.

A profunda crise que tem afligido a psicologia burguesa durante as últimas poucas décadas tem assumido novas formas agudas, violentas e repugnantes, até então desconhecidas na história da ciência psicológica, após o golpe fascista na Alemanha. O novo regime tem acelerado catastroficamente o crescimento e a exposição de um grande número de tendências até então vagas, não completamente reconhecidas, mascaradas. E, como resultado, a infraestrutura básica dentro do sistema da psicologia fascista foi criada com a mais estonteante velocidade durante o ano passado. A demanda política do novo regime atua como um catalizador no processo de degeneração, de queda, que havia previamente se tornado entrelaçado à produção geral da crise e conduzido a um estado de tragédia sem precedentes.

Não há, é claro, qualquer discussão sobre a criação de uma nova psicologia em tempo tão curto quanto o que se passou desde o estabelecimento do regime fascista. O fascismo começa a penetrar a psicologia por uma via distinta. Ele rearranjou as posições da psicologia alemã colocando em primeiro plano tudo de reacionário que previamente existia nela. Mas isto apenas não bastou. Como já foi dito, também foi necessário forjar, no tempo mais curto possível, um sistema de psicologia que correspondesse à ideologia fascista como um todo.