
L.S. Vigotski - A Psique, a Consciência e o Inconsciente (1930)
Publicado em Sobr. Soch. T.1 [Obras Escolhidas. Tomo 1]. M.: Pedagogika, 1982, pp. 132–148. Tradução por Bruno Bianchi.
L.S. Vigotski
As três palavras no título do nosso ensaio: psique, consciência e inconsciente, significam não apenas três questões psicológicas centrais e fundamentais, mas são, em maior extensão, questões metodológicas, ou seja, questões sobre os princípios da construção da própria ciência psicológica. Isso foi muito bem expresso por T. Lipps[1] em sua conhecida definição do problema do subconsciente, que afirma que o subconsciente não é tanto uma questão psicológica, mas uma questão de psicologia em si.
G. Höffding (1908) tinha o mesmo em mente quando comparou a introdução do conceito de inconsciente na psicologia em importância com o conceito de energia física potencial na física. Somente com a introdução desse conceito a psicologia se torna possível como uma ciência independente que pode unir e coordenar os fatos da experiência em um sistema de conhecimento sujeito a leis particulares. G. Munsterberg, discutindo esta mesma questão, faz uma analogia entre o problema do inconsciente na psicologia e o problema da presença da consciência nos animais. Com base apenas em observações, ele diz, é impossível decidir qual das várias explicações para esses problemas está correta. Precisamos decidir isso antes de começar a examinar os fatos.
Em outras palavras, a questão de saber se os animais têm consciência não pode ser resolvida empiricamente; é uma questão epistemológica. O mesmo ocorre aqui: nenhuma vivência anormal pode, por si só, servir como prova de que seja necessária uma explicação psicológica, e não fisiológica. Esta é uma questão filosófica que deve ser resolvida teoricamente antes que possamos começar a explicar os fatos especiais.
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