M. Vorwerg — Fundamentos da Modificação da Conduta na Psicologia da Personalidade (1987)

Publicado em Kossakowski, A. (Ed.), Psicologia en el Socialismo. La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 1987, pp. 190-201. Tradução por Marcos Caleone.

Em relação à discussão em torno dos problemas metodológicos do princípio da personalidade na psicologia social, Iadov (1975, p. 80) assinala que “o mais importante no problema da regulação interna da conduta social [...] é a questão da estruturação da personalidade como sujeito da atividade”. Graças aos trabalhos da escola histórico-cultural da psicologia soviética foram alcançados conhecimentos importantes acerca da essência do psiquismo, sua determinação etc. O caráter histórico-social disto, que a psicologia estuda como personalidade, se tem convertido em um ponto de partida fundamental de toda investigação para os psicólogos de orientação marxista.

Está claro também que a socialização dos indivíduos até chegar a ser uma personalidade, ou a individualização das estruturas sociais na personalidade, é produzido com a participação ativa do ser humano. Deve-se levar em conta, em primeiro lugar, que o conceito de atividade não é fundamentalmente um conceito psicológico. A atividade é antes o meio objetivo (em geral, intencional) que assegura a existência e desenvolvimento da sociedade e é o meio para o domínio e controle do meio e das condições de vida do ser humano. No entanto, as atividades são realizadas por indivíduos. Estes indivíduos se movem dentro de um sistema histórico-concreto de atividades sociais e têm nele um lugar determinado, estabelecido pela divisão do trabalho. Por esta razão, a conduta real de um indivíduo só é possível dentro das formas respectivas das atividades sociais. Ao mesmo tempo, no entanto, cada atividade do ser humano é também atividade individual, expressão de um processo integral do social e do individual.

Ao fim, o verdadeiro problema metodológico consiste em se a estrutura objetiva da atividade e da ação individual são isomorfas ou não, ou – o que é o mesmo –, que relação guardam entre si. Se esse problema é investigado por meio de uma análise científica-particular, é necessário algo além da mera comprovação de uma dialética de apropriação e objetivação. A razão para isso é que este modelo teórico abstrai os mecanismos de regulação psíquica desta interação. Embora fosse muito importante a aplicação deste modelo teórico do jovem Marx ao desenvolvimento do ser humano, não se pode ignorar que com isso se descreve condições externas. Os próprios mecanismos psíquicos da regulação não são idênticos aos seus determinantes, embora seja certo que não podem ser explicados completamente sem eles. Por um lado, a procura de isomorfismos entre a estrutura do que se apropria e do que é apropriado, e a procura de isomorfismos entre o apropriado e o objetivado, por outro lado, não só perde de vista o verdadeiro problema psicológico, mas está sujeita a um modelo abstrato de determinação da regulação psíquica da atividade.